5º Seminário Nacional de História da Historiografia: biografia e história intelectual
Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS)
agosto 22, 2011 – agosto 25, 2011
Prazo de inscrição: 10/ 06/ 2011 - maiores informações em: http://www.seminariodehistoria.ufop.br/ocs/index.php/snhh/2011
Apreender o indivíduo e, através dele, compreender uma época parece ser uma das possibilidades sedutoras da biografia, como se no indivíduo pudesse ser escrita sempre uma biografia mais ampla e coletiva. Ao mesmo tempo, toda história individual comporta algo de inefável, sem o que é difícil explicar o fascinosum do gênero biográfico. Se para Dilthey a biografia constitui a "cellula mater" da história, para Bourdieu ela assenta fundamentalmente numa "ilusão". Os riscos que a envolvem e sua íntima relação com a literatura levou a que, por vezes, fosse questionada sua presença no campo da pesquisa história acadêmica. O caráter híbrido do gênero biográfico constitui, talvez, o maior endosso à sua abordagem. Hoje, entre os campos da história, ele está longe de ser um sinônimo de fuga ao rigor da compreensão. Ele representa, antes, um horizonte que se abre.
Biografia e história intelectual articulam-se através da investigação das ideias e das práticas discursivas. Compartilham, ademais, a assertiva de que o âmbito do imaginário ou da cultura mostram-se performativos, vindo a incidir - e a transfigurar - escolhas e trajetórias de vida, bem como ideários e identidades sociais.
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Professores sócios da SBTHH - R$77,00Pós-graduandos sócios - R$59,00
Professores e pós-graduandos não sócios R$ 185,00.
Alunos de graduação não são elegíveis como participantes dessa categoria.
Alunos de graduação não são elegíveis como participantes dessa categoria.
Coordenadores: Prof. Dr. Fábio Faversani (UFOP) & Prof. Dr. Fábio Joly(UFOP)
Ementa: O gênero biográfico, como foi praticado modernamente, como é sabido, não era conhecido dos antigos. Os bíoi, para o exemplo mais notável, não podem ser confundidas com o gênero biográfico produzido em sociedades burguesas. A palavra biografia só surgirá nas línguas modernas com os processos de desarticulação das sociedades de Antigo Regime. Na Língua Portuguesa, segundo o dicionário Houaiss, a primeira ocorrência data do século XIX[1]. Para o Inglês e o Francês o mesmo se verifica, ainda que as referências iniciais sejam anteriores, como foi na França e na Inglaterra a crise do Antigo Regime. Impossível não reconhecer que apesar de os gregos (e helenizados) designarem por biói algo diverso do que chamamos de biografias, ambas são tomadas livremente como sinônimos, inclusive por especialistas. Assim, o primeiro tema que se coloca em debate é o estudo do que podemos conceituar como biografia nas fontes antigas e como este conjunto de textos pode servir aos estudos da história, colocando em destaque o que elas têm de particular em seu contexto de produção e na construção de uma tradição literária para a qual foram instituídas como fundadoras. No estudo da Antiguidade ganha particular interesse as relações entre as biói e as histórias, visto que as fronteiras, quer de cada qual quer especialmente entre elas, está longe de ser clara.
A construção da imagem de personagens antigos ao longo do tempo tem uma importância inquestionável tanto para a Antiguidade quanto para as sociedades posteriores. Homens e mulheres da Antiguidade foram se constituindo através dos séculos como modelos presentes e muito vivos tanto de comportamentos negativos quanto positivos. Este processo multissecular faz com que mesmo pessoas pouco instruídas saibam quem foi César, Augusto, Nero, Messalina, ou Jesus Cristo. Assim, apesar de não existir o gênero biográfico na Antiguidade, o exercício do gênero biográfico a partir da Antiguidade é sem dúvida basilar para o gênero como hoje o conhecemos. Deste modo, outro tema fundamental a se colocar em discussão são os processos não só de recepção, mas também da constituição de tradições interpretativas da Antiguidade, tendo por foco a biografia e suas relações com a história.
Cremos ser importante destacar mais fortemente a necessidade de se produzir biografias e estudar a história das biografias que foram construídas. Como ressaltou David Nasaw, na apresentação que escreveu para o dossiê sobre biografias publicado em 2009 pela The American Historical Review: "Biography remains the profession's unloved stepchild, occasionally but grudgingly let in the door, more often shut outside with the riffraff."[2] O fato do estudo das biografias ter sido tradicionalmente descurado por historiadores deve ser mais uma razão para nos dedicarmos a ele. Afinal, a composição das biografias ao longo do tempo acaba por fornecer um rico material não só para refletirmos sobre a Antiguidade, mas também sobre como as mais diversas sociedades construíram suas autoimagens a partir da Antiguidade. Serve ainda como material para refletir como historiadores da Antiguidade e profissionais de outras áreas (notadamente jornalistas e literatos, incluindo aqui casos muito interessantes de historiadores escrevendo biografias como não-historiadores, como foi o caso de Pierre Grimal) compuseram narrativas biográficas. Estudar a biografia a partir da Antiguidade pode permitir avaliar os diversos e multiformes momentos que nos levam de um ponto que poderíamos estabelecer arbitrariamente na "Antiguidade" quando a biografia não era a biografia até um ponto colocado de forma igualmente arbitrária nos debates presentes em que se quer que a biografia seja história (ou microhistória, ou prosopografia, ou biografia coletiva, ou uma abordagem neofenomenológica, ou...).
Dentro deste amplo escopo (que engloba o estudo das biói e seu uso como fonte pelos historiadores, a construção do gênero biográfico como modalidade literária antiga, a recepção e constituição de biografias de antigos pelos modernos e a produção de modalidades narrativas historiográficas e não-historiográficas tendo como foco biografias antigas) esperamos poder constituir um Seminário Temático que auxilie na reflexão sobre a História da Historiografia Antiga a partir de múltiplas abordagens.
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[1] A referência inicial reportada pelo Houaiss é J.C. Feo Cardozo de Castello Branco e Torres. Memórias contendo a biographia do Vice Almirante Luiz da Motta Feio. 1825. HOUAISS, Antônio. "Biografia". In: Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2001. p. 456.
[2] David Nasaw, "Introduction". The American Historical Review, Vol. 114, No. 3 (June 2009), pp. 573-578
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